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Balanced
Scorecard como Ferramenta Gerencial da Estratégia
Por João Paulo G. Batistella
Num
ambiente de intensas mudanças sociais, econômicas
e tecnológicas, nenhuma organização pode
se dar ao luxo de permanecer indiferente e imóvel.
Para sobreviver e crescer, ela precisa avaliar permanentemente
as tendências e resultados de seu negócio e tomar
decisões rápidas e seguras. Isto exige informações
confiáveis, atualizadas e consistentes. Pode-se comparar
a administração de uma organização
à pilotagem de um jato. O piloto de um jato necessita
de um grande número de indicadores para que tenhamos
um vôo seguro e confiável. Da mesma maneira,
executivos precisam de indicadores sobre vários aspectos
do ambiente e desempenho organizacional, sem os quais não
teriam como manter o rumo da excelência empresarial.
Uma empresa moderna precisa de indicadores que vão
além das tradicionais medidas financeiras. Ela precisa
de medidas que a ajudem a manter uma vantagem competitiva
refletindo aspectos como qualidade de seus produtos ou serviços,
satisfação de seus clientes, posicionamento
competitivo, flexibilidade.
O
Balanced Scorecard (BSC), criado por Robert Kaplan e David
Norton, oferece a aos executivos os instrumentos necessários
para que atinjam o sucesso futuro. Hoje, as empresas competem
em ambiente complexos. Por esta razão, é fundamental
que exista uma perfeita compreensão de suas metas e
dos métodos para atingi-las. O Balanced Scorecard traduz
a missão e a estratégia das empresas num conjunto
abrangente de medidas de desempenho que serve de base para
um sistema de medição e gestão estratégica.
O BSC continua enfatizando a busca de objetivos financeiros,
mas também inclui os vetores de desempenho desses objetivos.
A grande inovação do BSC está em não
se preocupar apenas com medidas financeiras. Medidas financeiras
contam a história de eventos passados, mas isso não
é suficiente para as empresas da era da informação,
que precisam criar valor para o futuro, através de
investimentos em clientes, fornecedores, funcionários,
processos, tecnologia e inovação. O BSC é
uma ferramenta gerencial que fornece um modelo para estruturar
e implementar a gestão de desempenho em todos os níveis
da organização. Ele integra objetivos, iniciativas
e medições com a estratégia empresarial,
através de quatro perspectivas equilibradas: financeira,
do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento.
O BSC permite que as empresas acompanhem o desempenho financeiro,
monitorando ao mesmo tempo o progresso na construção
de ativos intangíveis necessários para o crescimento
futuro. Mas como pode uma organização implementar
uma estratégia sem que seus membros a conheçam?
Além de servir como ferramenta gerencial, o BSC é
uma excelente maneira de comunicar a estratégia. Através
de relações causa-efeito, membros da organização
tomam conhecimento das ações estratégicas
e suas justificativas ficam claras ao se analisar o scorecard.
A seguir temos um figura que ilustra as quatro perspectivas
do BSC.

Figura 1 O Balanced
Scorecard oferece a estrutura necessária
para a tradução da estratégia em termos
operacionais
Perspectiva
Financeira - Sob esta perspectiva é avaliado o
desempenho da organização em gerar resultados
que satisfaçam seus acionistas e garantam sua sobrevivência
e crescimento. A partir desses indicadores de desempenho,
a organização é orientada a definir seus
objetivos financeiros alinhados com a sua estratégia
empresarial, que servirão como balizadores para os
objetivos e medições das outras três perspectivas.
Medições típicas: faturamento, retorno
do investimento, margem de lucro etc.
Perspectiva
dos Clientes - O desempenho da organização
é avaliado com base na capacidade de construir um relacionamento
duradouro e rentável com seus clientes. Os gerentes
são orientados a identificar seus clientes, bem como
os segmentos de mercado em que irão competir, além
de definir seus objetivos e formas de medir o desempenho.
Os gerentes são chamados também, a refletir
sobre a competitividade de seus produtos, serviços,
e sobre a segmentação e avaliação
da rentabilidade de seus clientes. Medições
típicas: satisfação, fidelidade, participação
no mercado, reclamações etc.
Perspectiva
dos Processos Internos - A satisfação dos
clientes é alcançada através das atividades
operacionais da organização. Os objetivos e
medições desta perspectiva enfatizam o foco
na manutenção e melhoria do desempenho dos processos
que impactam a criação de valor para os clientes.
A abordagem do Balanced Scorecard oferece os meios para olhar
a organização como uma cadeia de processos integrados,
e não um conjunto de departamentos isolados. Esta abordagem
oferece excelentes oportunidades para a inovação
de métodos e melhoria da qualidade, agilidade, produtividade
e custos. Medições típicas: qualidade,
produtividade, tempo de ciclo, pontualidade, segurança
e qualidade ambiental.
Perspectiva
do Aprendizado e Crescimento - As expectativas dos clientes
estão em constante mudança e as organizações
são pressionadas a fazer melhorias contínuas.
O sucesso em vencer este desafio está fortemente calcado
na habilidade das pessoas em aprender e inovar, tanto individual
quanto coletivamente. Sob esta perspectiva, é avaliada
a capacidade da organização em desenvolver e
motivar o seu capital intelectual e, consequentemente, inovar
seus métodos, incorporar novas tecnologias e criar
novos produtos e serviços. Medições típicas:
inovações, patentes, sugestões e clima
organizacional.
O
Balanced Scorecard é mais do que um sistema de medidas
táticas ou operacionais. Empresas inovadoras estão
utilizando o BSC como um sistema de gestão estratégica
para administrar a estratégia a longo prazo(figura
2). Elas adotaram a filosofia do scorecard para viabilizar
processos gerenciais críticos:
1.
Esclarecer e traduzir a visão e estratégia
2. Comunicar a associar objetivos e medidas estratégicas
3. Planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas
4. Melhorar o feedback e o aprendizado estratégico

Figura 2 O Balanced
Scorecard como estrutura para ação estratégica
O
Balanced Scorecard é um instrumento novo (foi criado
em 1990) mas já é usado por grandes empresas
como por exemplo Molson, Philip Morris, Boeing Credit Union,
Bank of Ireland, National City Bank, Morgan Stanley Dean Witter,
Ford, Petrobras, Caterpillar, Mitsubishi, Swales Aerospace,
Chicago Public School (EUA). O BSC também é
utilizado por muitas instituições públicas
norte americanas, pois é adequado para organizações
que visam lucros ou não. No Brasil especificamente,
o BSC poderia ajudar os órgãos públicos
a melhorar o atendimento à população
através do estabelecimento de metas e vetores de desempenho.
O Balanced Scorecard auxilia as corporações
a planejarem o futuro de modo a cumprir sua missão
do modo mais eficiente possível, e isso é uma
necessidade de empresas privadas, públicas ou organizações
sem fins lucrativos.
O
Balanced Scorecard preenche a lacuna existente na maioria
dos sistemas gerenciais: a falta de um processo sistemático
para implementar e obter feedback sobre a estratégia.
Os processos gerenciais construídos a partir do scorecard
asseguram que a organização fique alinhada e
focalizada na implementação da estratégia
de longo prazo. Assim entendido, o Balanced Scorecard torna-se
a base para o gerenciamento das empresas na era da informação.
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